terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um dia, só

Vai passar o dia coerente
e assim, deixar de viver
Ou pensar com prudência
filtrando o que se quer saber

Brincar de se relacionar
percebendo o quão frágil é o abraço
e como fazem dele algo sem sabor
Cadê o amor?

Olhar para o lado e ver a metade
luzes brilhando, saudade vinda com o frio
Brindar com a grandeza
perceber que está só, no vazio

Chega o fim, a noite
o que sobra é o que foi colhido
Tudo o que se pode ver no negro
Todo o ar que se pode aspirar em baixo do mar
Clarissamtb

terça-feira, 12 de julho de 2011

"Meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer"
Caetano

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Furta-Cor


Não, suas unhas não estão pintadas
A cor que nela vemos é a cor da vida
Que percorre cada ação
E os sentimentos que dela decorrem


Se vê manchada
Não só suas unhas mas sua totalidade
Um borrão chamado vergonha
Que nos deixa ver o vermelho


Ela sujou suas mãos e intimidou
Com tinta, o livro mais velho e surrado da estante
O Dicionário


Podendo diluir significados e certezas
Adquiridos após longas jornadas
De auto-conhecimento e busca


Forma-se uma poça, daí surge
O medo, de surpreender-se
E conseguir vislumbrar algo novo e extraordinário


Mas tudo isso por consequências
Que pela primeira vez terão seu código
E seu próprio sentimento
Clarissamtb

30/03/2011


Pareceu ele, por sua vez
Mais esperto, mais maduro
Porém, senti
O mais simples ele não possuía
O que era essencial


Sendo instrumento de trabalho
O lápis para o escritor


Foi então que me ocorreu
Seu apogeu se deu pela maquilagem
Que o deixa transpirando insegurança
Mas que, novamente, transforma-o num artista
Ou em um pseudo-artista


Tive vontade de viajar com ele, como ele
Mas logo percebi que não queria uma mentira
Um mundo que não era meu, nem passaria a ser


Quero meus sonhos, meus amores e minhas dores
Não a maquilagem de outro, mas a minha pura verdade
Clarissamtb

domingo, 24 de abril de 2011

meu Rafa

Sempre Pequeno

Minha vida, meu herói
És o que ninguém será, jamais, em mim
O fim com sim
A certeza de amor, doçura
E, o contrário do torpor
Irei gravar em memória o teu primeiro sorriso
A tua primeira arte, na sintaxe dos anos
Não seria você se não fosse eu
Não seria eu se não fosse você
Ao seu jeito a gente vê
O esforço de ser normal
Mas entenda que ser diferente não é mau
É ser e pertencer a algo sólido
Que em tão pouco tempo não deixará ser abalado
Nem pela unica certeza que temos
Nem pelo maior horror que vemos
Será sempre assim, uma alomorfia
Mas construirá sua história como quem fia 
O mais precioso tecido
E como sempre direi, jamais será esquecido
Clarissamtb

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A Sombra da Árvore


Vivendo e absorvendo
Como a Terra toma e suga a Água

Todas as dores de seus mimos
E como ela, necessitando dessa angústia, ou prazer

Para que a sobre-vida passe a fazer e ter
Algum sentido, por mais singelo que for

Mas diferente, piorando a Si
Afetando todas as mudas, flores e fauna à sua volta

Seus Frutos murcharam
O grande calvário se reverteu

Tirou-lhe a beleza, o frescor e a altivez
Restando apenas a Sombra
Clarissamtb

quinta-feira, 7 de abril de 2011

um presente

Feito com carinho e recebido igualmente. Obrigada pelo mimo!

A Primeira (E Unica) Bailarina

Em um par de dias abençoados
Fui presenteado com uma cura celeste para os olhos
Um rosto suave e viciante que serve como base,
de linhos dourados que cascateam belamente

E como se não bastasse (e nunca bastará),
Minha imaginação se fertiliza, quase que anabolizadamente
Para que eu sempre tenha o que conversar e poder vê-la sorrir.

Já passado o tempo, 
Ela me encanta cada vez mais, por ser movida pelo desejo do que passou
Ao contrário de mim, que sou movido pelo o que quero passar

Sequita no oco do meu peito,
Um receio de seguir minha vida sem ela,
Assim como o receio dela, de seguir a vida com medo.

Espero, de verdade, fazer desse desabafo transcrito,
Uma semente em seu âmago
Para que a faça parar de pensar em passar,
E que a faça me aguardar para tentar,
E consequentemente seguir.
Luan Rodrigues

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Batida Desigual

Se deixou sorrir
Vir a um mundo de cores
Como se aquele fosse 
O último instante

E fazê-lo valer
Fosse a unica forma de pagar
A dívida com a vida
Com O Grande

Sendo cruel dar Esperanças
Depois arrebatá-las
Como se entalhassem as iniciais em uma árvore
E nunca mais a apreciassem

A marca ficará
De um Ensejo já vivido
Mas não abençoado
Não concretizado

Com todas as mil surpresas
De um ritmo desvairado
De tão volúvel
Desigual

Igual ao órgão que suporta
Num corpo único 
Que contém o perfeito
E seu oposto
Clarissamtb

quinta-feira, 31 de março de 2011

Madeixa, Me Deixa



Fios de luz,
De sol, marfim
De sangue e piche
Vão de moldura à pintura

Significando Nada e Tudo
Mas, quando o Nada passa a ser a Totalidade
Encontram-se faíscas a esmo
Do Belo

Quando o Cheio passar a ser Vazio
Desencadeará o brinde
A incessante e incansável 
Busca

Por algo raramente encontrado
Pelo caminho descrito, em sânscrito
Pela terrível regra igualitária
Que prende e devasta
Clarissamtb

sábado, 26 de março de 2011

Mais Um Ciclo

Não sei quando
Não sei como

Sei que vou e
Que sou

Com afinco procuro respostas
Que venham!

O significado é humilde
Mas por mim, continuo cavando

Existem mais flores, e músicas
Que num caleidoscópio, numa sinfonia

Enxergar não é a felicidade da morte
Mas os óculos do prelúdio

Iniciando, mais uma vez,
O ciclo
Clarissamtb

sexta-feira, 25 de março de 2011

Rádio de Pilha

  Hoje liguei o rádio, minutos depois começou a tocar uma música interpretada por Daniela Mercury. É incrível como sons, imagens, cheiros, trazem-nos as lembranças mais remotas. Quando, mais cedo, liguei o aparelho e escutei a forte voz de Daniela, lembrei da minha mãe, e da forma que me sentia quando, por ela, era convidada a dançar no meio da sala de estar, movidas por essa mesma melodia. Suávamos, brincávamos e riamos, como se essas fossem nossas principais preocupações. Sentia que ao lado dela, a 9 anos atrás, podia dançar para sempre, ser o que quiser, pois era somente "a filha", que só dava e recebia amor. E foi aí que me dei conta de como tudo era mais simples, sem os quilômetros separando nossos risos, cheiros e carinhos.

  Apesar da saudade geral, da distância, tenho, e terei, uma força que é, e será, consequência da certeza de que quando voltar serei novamente "a filha", "a irmã", "a amiga", que dá e recebe amor. E reencontrá-los será como retomar o que fui e senti um dia, com mais coisas para compartilhar, e mostrar assim, o crescimento mútuo adquirido.

Turbulência e Consequência

De repente sinto o Mar
Violento
Batendo na Rocha, destruindo-a
Pedaço após pedaço

O Vento da cólera
Empurra
Dá uma força despercebida
E vem a dor, arrependimento, ignorância

A Rocha em pedaços
Triste
Não conseguindo mais sentir
Vê o cobalto, pontos brilhantes, e o negro





Clarissamtb